Como será o business travel em 2021?


 

Como será o business travel em 2021? Somente a alguns dias de encerrar 2020, o balanço de um ano de pandemia da covid-19 lança não só um travão nas viagens em geral e nas viagens de negócio em particular, senão também uma mudança de tendência.

A sociedade mudou o seu modo de vida. Os viajantes de negócios mudaram a sua maneira de viajar. E, longe de ser uma circunstância passageira, esta nova realidade manter-se-á na indústria do business travel nos próximos anos, tal como antecipam os experts.

Assim foi revelado no webinar Redesenhamos as viagens juntos, de Amadeus.

 

Business travel em 2021: o que enfrentamos?

Não é o medo do contágio o que trava as viagens: é a incerteza. Como explicava Ángel Gallego, Vice-Presidente Executivo de Travel Channels de Amadeus, “as restrições e a incerteza logística são os principais desmotivadores da viagem, mais que o medo de contrair o vírus.”

O que encontra o viajante de negócios nesta nova realidade pandémica? Em primeiro lugar, requerimentos de viagem pouco claros e muito diversos, não só entre distintos países, senão inclusive entre diferentes regiões de um mesmo país. Viagens de negócios e restrições não são um bom par de ‘baile’, por isso, na União Europeia começou a abordar-se um plano conjunto para tratar a mobilidade.

A consequência de contar com restrições divergentes é clara: o viajante corporativo não encontra standards de confiança unificados para assegurar viagens de negócios seguras.

E finalmente, quem recolhe informação acerca de como realizar a viagem e se decide a fazê-lo encontra mais um impedimento: é impossível prever que situações acontecerão no destino. Haverá novos fechos que impeçam ou dificultem o regresso? Terá o viajante que submeter-se a testes médicos? Que acontecerá se se contagia durante a viagem?

 

Rumo a uma recuperação do business travel

Bernhard Steffens, SVP BTA de Amadeus, apresentou uma perspetiva do business travel em que se avançam com os seguintes parâmetros de recuperação:

  • As companhias aéreas recuperam-se de maneira muito mais lenta que os hotéis.
  • Recuperam-se antes as viagens das pequenas e médias empresas, pois têm maior flexibilidade.
  • Dentro das grandes indústrias, sectores como o armador, empresas energéticas e de serviços essenciais também se estão a retomar antes do business travel.

Entre os fatores que ajudaram à recuperação destaca-se acima de todos a confiança nos avanços médicos, desde a vacina a um tratamento farmacêutico efetivo para a covid-19. Para os viajantes de negócios, isto será um estímulo para viajar acima da retirada dos períodos de quarentena ou mesmo do orçamento disponível para viagens.

Assim, que viagens se recuperarão antes? As viagens corporativas que se estão a retomar são aquelas que poderíamos qualificar de proximidade, com deslocações regionais (que, em muitos casos, podem realizar-se em automóvel), para reuniões com clientes. Depois cabe esperar uma recuperação das viagens nacionais, para reuniões internas, o último que se irá recuperar serão as viagens de negócios internacionais, por exemplo, em férias e convenções.

 

O que esperam os viajantes e as empresas do novo business travel?

Segurança. Esta é a chave em torno da qual se articula a nossa sociedade pós-covid.

No sector turístico, e em concreto no âmbito do business travel, esta segurança aplica-se a diferentes aspetos: supostamente, segurança antes dos contágios (para garantir a saúde dos viajantes e dos empregados), mas também segurança de que aquelas empresas com as que se viaja serão flexíveis na hora de fazer cancelamentos e alterações. Segurança, enfim, de que do outro lado a agência de viagens de negócios terá uma atenção personalizada com um trabalho de consultoria de valor para o viajante.

Neste sentido, o Duty of Care no business travel não só é inalienável (já o era), contudo agora revela-se como a principal expectativa para 83% das empresas questionadas por Amadeus. Isto significa pensar como melhorar a política de viagens corporativas e reforçá-la para que se adapte às novas circunstâncias que põe sobre a mesa a pandemia.

E convém não esquecer que falamos de uma crise sanitária, sim, mas também de uma crise económica cuja dimensão é difícil de calcular agora. Mas o que sim está claro é que as empresas vão ver-se obrigadas a fazer ajustes e que isto irá supor uma redução nos gastos das viagens ou, dizendo de outro modo, a busca dos patrões mais eficientes para otimizar a inversão em viagens corporativas e garantir o retorno.

 

A viagem como investimento

Juan Carlos González, diretor geral da Área Corporativa do Grupo Ávoris, põe especial tónica em que “a viagem de negócios é um investimento. O ROI de uma viagem de trabalho é facílimo de medir: somente tem que calcular-se que rendimento que aporta a nova conta que se fechou ou o cliente que se manteve com a reunião para a qual se viajou”.

Neste sentido, alerta sobre os riscos de uma visão a curto prazo do travão no business travel: “Na crise de 2008 houve uma paragem radical nas viagens de trabalho e comparativamente a 2010-2011 muitas empresas tiveram que mudar a estratégia porque se deram conta de que não viajar tinha um efeito muito mais negativo sobre os resultados”.

Sobre a dicotomia viagens nacionais versus viagens internacionais, aponta que “se é certo que as viagens domésticas se vão recuperar mais rápido, convém ter em conta que as oportunidades de negócio estarão fora. Existirão muitas empresas com visão que se aperceberão que as oportunidades estão mais além das nossas fronteiras”.

As viagens de trabalho não devem parar se o país não quiser para no seu caminho – afirma González.

Juan Carlos González volta a insistir nos altos parâmetros de segurança que estabeleceram as empresas do sector turístico e aponta, neste sentido, que a recuperação do business travel dependerá de dois grandes fatores: “o alcance da vacina e a profundidade da crise económica pós-covid, que marcará o investimento em viagens”.

 

Como serão as viagens de negócios?

“A segurança na viagem veio para ficar”, expressa claramente o diretor geral da Área Corportativa de Ávoris: “ir-se-á avançando em formatos touchless, a viagem será mais curta (provavelmente com menos pernoites) e far-se-á uma seleção exaustiva dos fornecedores”.

Neste aspeto, a agência de viagens de negócios tem um valor especial, porque é cada vez menos agência e mais consultoria: “onde aportamos menos valor é na emissão do bilhete – explica González -: encarregamo-nos de assessorar, gerir reembolsos, da otimização administrativa, da repatriação dos viajantes… Muitos clientes aperceberam-se do grande valor deste serviço e os que não tinham agência depararam-se que com a falta destes serviços as coisas se tornaram mais difíceis de gerir. Esta deveria ser a chave para o futuro, a cadeia de valor. É o momento de colocá-lo na primeira posição, que o cliente esteja seguro de que está a comprar uma cadeira de valor em que existem fornecedores preferidos, sistemas de gestão, tecnologia transparente para o comparativo de preços…”.

 

Mais digitalização, mais talento, mais personalização

Os formatos touchless são somente uma amostra de como a tecnologia aportou valor ao business travel…e de como não apenas é irrenunciável, como se deve seguir progredindo em viagens de negócios e digitalização.

Tal como antecipam os experts. “As chaves da recuperação virão pela mão da passagem para o digital (com propostas baseadas na inteligência artificial), o talento e a atenção personalizada”.

“A tecnologia colocou nas mãos dos viajantes o conhecimento absoluto: agora a viagem vai ser escolhida não só com base no destino, mas também no que será feito lá. Mais ainda, as reservas de última hora são uma tendência que seguirá no auge: o cliente vai decidir em muito pouco tempo porque terá muitas facilidades para viajar e encontrar alojamento em qualquer lugar do mundo. Por isso, os players da indústria têm que apostar pelo conhecimento e a informação”.

 

A sustentabilidade como chave do business travel

Outro ponto em que concordam todos os experts na hora de pensar o business travel em 2021 é a sustentabilidade.

“É fundamental fazer uma reflexão sobre o cuidado do planeta, e a nossa indústria pode fazer muito, com ferramentas para apagar a pegada de carbono em viagens e outros tipos de estratégias de sustentabilidade”.